Marco António Costa: “Não abandonei Vila Nova de Gaia” PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrito por Filipa Castro Reis   
Quarta, 18 Janeiro 2012 09:14

clubemarcoO Clube dos Pensadores começou em força o primeiro ciclo de debates de 2012, tendo Marco António Costa como convidado. O antigo vice presidente da Câmara gaiense e atual Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social foi recebido por inúmeras pessoas que fizeram questão de estar presentes neste seu regresso temporário a Vila Nova de Gaia numa noite onde declarou que a decisão de integrar o Governo e deixar Gaia “foi a mais incómoda” da sua vida.

“Aqui cheira a poder”, foi com esta declaração forte que Joaquim Jorge, fundador do Clube dos Pensadores, justificou a sala repleta de pessoas, entre elas vereadores da Câmara Municipal e o próprio presidente da Assembleia Municipal, César Oliveira, que fizeram questão de cumprimentar e assistir avidamente à intervenção do orador do primeiro ciclo de debates de 2012 do Clube: nada mais, nada menos do que Marco António Costa, antigo vice presidente da Câmara gaiense e atual Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social.

No passado dia 10 de janeiro, ao fazer a apresentação do convidado, Joaquim Jorge apresentou-o como “um super Secretário de Estado” e, ainda que muito novo, um dos mais influentes agentes do PSD, valorizando a sua atitude de “humildade democrática”.

Marco António Costa, por sua vez, usou da palavra para debater sobre a temática “Futuro da Solidariedade e Segurança Social”, afirmando que o “Estado Social está a dar sinais de incapacidade de chegar a todo lado, pelo que há que regressar aos princípios de proximidade”.

“Nestes seis meses de Governo, recorremos a um processo de aproximação e parceria com os representantes da área social, pois há a consciência de que só temos capacidade de dar resposta aos problemas sociais se tivermos esse entendimento”, acrescentou.

Em paralelo, o secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social anunciou ainda duas medidas previstas pelo Governo e que trarão alguma tranquilidade à sociedade: “Pretendemos descongelar as pensões mínimas em Portugal, o que custará ao Estado cerca de 70 milhões de euros, e o Governo teve a compreensão dos problemas sociais e, sem pressão alguma, tomou a iniciativa de criar um Programa de Emergência Social”, disse.

O orador debruçou-se também sobre o futuro das instituições de solidariedade social, acreditando que este assenta “na flexibilidade de gestão” e no “equilíbrio financeiro da exploração” dessas mesmas instituições.

“Estamos a tirar todos os esqueletos do armário e a deixar de varrer o pó para debaixo do tapete”

Após a intervenção de Marco António Costa, coube a Joaquim Jorge abrir o debate, colocando a primeira questão da sessão e que tocou o interpelado de forma especial: “Quando saíste de Gaia para o Governo, nunca deste uma explicação pública para o que fizeste. Queres fazê-lo agora?”, perguntou o fundador  do Clube dos Pensadores.

“No período em que tomei a decisão de sair, o meu estado de saúde estava muito debilitado por causa de uma pneumonia e tinha um familiar também com um problema de saúde. Não foi fácil. Ainda assim, há que dizer que não abandonei Vila Nova de Gaia”, garantiu Marco António.

“A decisão mais incómoda da minha vida foi integrar este Governo, pois teria sido mais fácil para mim, por vários motivos, continuar em Gaia, mas tomei esta decisão consciente que a minha experiência e conhecimento do trabalho autárquico seriam de grande utilidade para o desempenho deste Governo na área social”.

Ainda assim, o secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social assegura que “todos os dias” no exercício da sua função, “nunca vira a cara” às suas responsabilidades perante todo o país e perante “Gaia em particular”.

Questionado sobre os sucessivos cortes aplicados pelo Governo, conduzindo a “uma situação de limite”, como afirmou Joaquim Jorge, Marco António disse que “não há medidas adicionais de austeridade, mas sim medidas adicionais de gestão”. “Estamos a tirar todos os esqueletos do armário e a deixar de varrer o pó para debaixo do tapete”, evidenciou.

O convidado ressalvou igualmente que Passos Coelho é o “primeiro-ministro com a tarefa mais difícil da democracia”, mas que “tem os pés bem assentes na terra” e “conquistou a credibilidade internacional”. “Um valor fundamental para um país que pediu ajuda externa”, salientou.

A justiça social foi outro dos tópicos desenvolvidos por Marco António Costa, avançando que “a Segurança Social tem o crédito acumulado de mais de 570 milhões de euros por prestações indevidamente pagas a muitos portugueses que não tinham direito”. “570 milhões fazem muita falta para serem reinvestidos e nós consideramos que cada euro que é mal pago é um euro que fica por entregar a quem precisa dele”, rematou.


Actualizado em ( Domingo, 29 Janeiro 2012 22:43 )
 

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