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Face às notícias que denunciam a intenção do Governo em avançar com a fusão dos portos nacionais, o Partido Socialista, pelas vozes da Federação Distrital do Porto e das concelhias de Matosinhos, Gaia e Porto anunciou “o mais vivo repúdio” perante a hipótese. O que está em causa é a extinção da Administração dos Portos de Douro e Leixões, através de um processo de fusão dos portos nacionais (holding dos portos). “Queremos e exigimos que a nossa região não seja espoliada de um dos maiores fatores de crescimento, de modernidade, de modernização e de progresso para a recuperação económica e social que se impõe”, afirmou Mário Mourão, coordenador da Federação.
Na passada sexta-feira, a Federação Distrital do Partido Socialista do Porto, a par das concelhias de Matosinhos, Porto e Gaia manifestou-se vivamente contra a intenção do Governo, até agora não desmentida, de extinguir a Administração dos Portos de Douro e Leixões, através de um processo de fusão dos portos nacionais (holding dos portos).
A conferência de imprensa teve lugar na sede distrital, com o coordenador da Federação, Mário Mourão, e os representantes das concelhias de Matosinhos, Porto e Gaia, Guilherme Pinto, Manuel Pizarro e Maria José Gamboa respetivamente a anunciarem o “seu mais vivo repúdio” perante a hipótese avançada pelo Governo.
Considerando o Porto de Leixões como “um pilar estratégico da economia nortenha”, Mário Mourão afirmou que o “fim da sua gestão autónoma levará a que todas as decisões sejam centralizadas em Lisboa, num organismo desprovido de conhecimento de proximidade que qualquer porto do mundo precisa para o sucesso da sua atividade”.
O coordenador falou ainda das consequências negativas desta medida que está sobre a mesa governamental, garantindo que a acção da Federação “não se resume a uma mesquinha querela Norte-Sul”.
“Se o Governo aglomerar numa mesma estrutura os portos portugueses, os resultados económico-financeiros gerados pelo Porto de Leixões passariam a ser destinados a encobrir e dissimular os resultados dos portos deficitários”, anunciou Mário Mourão.
A medida implicaria ainda a existência de um único administrador que adviria “dos labirintos do Terreiro do Paço”, avançou ainda. “Tal retiraria a possibilidade de o Porto de Leixões manter a ligação de proximidade que lhe permite antecipar decisões cruciais cuja aplicação atempada garante um posicionamento estratégico de excelência na economia portuária do eixo Atlântico”.
O coordenador da Federação reiterou ainda que “a estabilização das relações laborais recentemente posta à prova na greve nacional dos trabalhadores portuários e a forma como foi solucionado o problema da estilha são dois excelentes exemplos da importância de uma gestão autónoma e de proximidade com a comunidade”.
“Queremos e exigimos que a nossa região não seja espoliada de um dos maiores fatores de crescimento, de modernidade, de modernização e de progresso para a recuperação económica e social que se impõe”, rematou Mário Mourão.
Combate ao “desarmamento do Norte”
O presidente da Câmara Municipal de Matosinhos e presidente da Comissão Política concelhia do PS da mesma cidade, Guilherme Pinto assumiu que se opõe à fusão dos portos a nível nacional por três razões essenciais. “Pelo próprio Porto de Leixões que, nos últimos anos, conseguiu uma evolução notável com grandes ganhos de produtividade, pelo que nós tememos que o Porto venha a ser contaminado pela incapacidade de gestão de outros portos”.
A segunda razão é do foro económico: “O Porto de Leixões tem sabido liderar de forma notável um movimento de exportação”, desempenhando assim, um papel estratégico “na economia desta região”. E por fim, Guilherme Pinto é contra a medida avançada pelo Governo, considerando que vai pôr fim à competitividade entre os portos. “A carga que hoje é exportada pelo Porto de Leixões seria desviada para outros portos para que eles pudessem apresentar rácios mais competitivos”, disse o autarca.
Guilherme Pinto definiu ainda como dramática a “paralisia do Governo relativamente a decisões de setores-chave da economia”. “O Governo não toma decisões porque não é capaz”, asseverou.
Manuel Pizarro, presidente da concelhia do Porto, aproveitou a conferência de imprensa para se dirigir aos autarcas do Porto e de Vila Nova de Gaia: “A Administração dos Portos de Douro e Leixões tem jurisdição sobre importantes territórios de faixa marítima e fluvial dos municípios do Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia, por isso gostava de saber, já que os presidentes do Porto e Vila Nova de Gaia ainda não se pronunciaram sobre o assunto, se eles devem mais obediência à hierarquia partidária e é por isso que estão calados, ou querem privilegiar os interesses da Área Metropolitana do Porto e da Região”.
Já Maria José Gamboa, representante da concelhia de Vila Nova de Gaia, chamou a atenção para a relevância “do Douro e da relação com toda a área do cruzeiro e do turismo marítimo”. “Para Vila Nova de Gaia, explorar esta área de desenvolvimento é absolutamente importante”, assinalou, fazendo ainda apelo aos “homens do desenvolvimento, comerciantes, industriais, autarcas e cidadãos” para que combatam “o desarmamento do Norte na sua capacidade de continuar autónomo”.
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