“Para mim e para muita gente, este dia é o nosso Natal” PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrito por Filipa Castro Reis   
Sábado, 28 Janeiro 2012 14:03

saogoncaloNo passado dia 15, as ruas de Mafamude e de Santa Marinha encheram-se de devotos que não quiseram deixar de acompanhar a primeira romaria do ano, a festa de S. Gonçalo que, juntamente com S. Cristóvão protegem as gentes do mar e os barqueiros do Rio Douro. Nesta festividade foi ainda celebrado S. Roque, padroeiro dos carpinteiros navais e calafates. “Os santos estão na nossa associação há mais de 20 anos”, reiterou o presidente dos Mareantes do Rio Douro, Agostinho Gomes, para quem a longevidade da romaria está sempre assegurada. O cortejo com séculos de história teve ainda como um dos pontos de paragem a Junta de Freguesia de Santa Marinha, onde foi recebido “de portas abertas” pelo Executivo.

Com mais de 300 anos de história e uma fé inabalável das gentes de Mafamude e de Santa Marinha, a festa de S. Gonçalo continua a ser uma tradição de inestimável valor a quem acorrem centenas de devotos das freguesias. A primeira romaria do ano celebrou-se no passado dia 15 de janeiro com os Mareantes do Rio Douro a percorrerem as ruas de Vila Nova de Gaia, levando consigo três santos profundamente enraizados na cultura das gentes do mar e dos barqueiros do Rio Douro: S. Gonçalo juntamente com S. Cristóvão e S. Roque, padroeiro dos carpinteiros navais e calafates.

O som dos bombos e tambores anunciava a chegada desta romaria dinamizada pelos Mareantes do Rio Douro e pelas Comissões Velha e Nova da Rasa, e que pulsava com a animação assegurada pelos grupos etnográficos do concelho, através de recreações de artes e ofícios, cantares ao desafio, danças e jogos tradicionais.

“Quem diz que esta romaria está a acabar, está a mentir”

Agostinho Gomes, presidente dos Mareantes do Rio Douro, já participa na romaria há 47 anos, revivendo orgulhosamente a herança histórica da festividade. “Esta festa começou a fazer-se pela necessidade de angariar fundos para a canonização de S. Gonçalo e, depois de este ter sido canonizado, a romaria passou a ser de festejo”, explicou.

Quanto aos padroeiros celebrados neste cortejo, Agostinho Gomes explica a sua origem sem dificuldades. “S. Gonçalo era um franciscano muito humilde e bondoso, o S. Cristóvão é o nosso patrono e era um barqueiro que apareceu degolado, daí só transportarmos a sua cabeça, já o S. Roque tem outra história. A capela de S. Roque existia no meio da rua e o rei da altura mandou rasgar a rua com a promessa de colocar a capela numa das laterais. Como não o fez, em protesto, o santo passou a constar na romaria”, contou.

“Os santos estão na nossa associação há mais de 20 anos”, reiterou ainda o presidente dos Mareantes do Rio Douro cuja infância está intrinsecamente ligada à romaria de S. Gonçalo. “Para mim e para muita desta gente, este dia é o nosso Natal. Fui criado dentro desta tradição desde pequenino e a gente afeiçoa-se às festas”, acrescentou.

Uma tradição que passa “de família para família” e que, apesar de o centro histórico estar a ficar desabitado, nada indica que irá ter um fim próximo.

“Quem diz que esta romaria está a acabar, está a mentir, são cada vez mais os elementos do cortejo”, defendeu Agostinho Gomes.

Uma das paragens mais esperadas do cortejo decorreu na Junta de Freguesia de Santa Marinha, com o Executivo a receber os patronos “de portas abertas” e ainda com direito a “miminho”, como afirmou Isaura Ramos, secretária da Junta, referindo-se ao bolo-rei e ao vinho de boas-vindas à romaria.

 “Esta é uma tradição que se mantém há anos e a Junta está sempre aberta a todas as iniciativas das instituições, coletividades e pessoas da freguesia”, rematou.

 

Actualizado em ( Quinta, 02 Fevereiro 2012 00:47 )
 


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